O site invencaodobrasil.com, inicialmente foi desenvolvido como material didático para a disciplina de Fundamentos da Cultura Literária Brasileira, por mim ministrada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje, revisado e modificado é um material complementar para os tópicos de Língua Portuguesa que ministro no Curso de Adaptação ao Idioma e à Cultura Brasileira, na Universidade da Força Aérea.
A Invenção do Brasil:
a história a ser contada
É por meio da linguagem que se constroem imagens de terra e povos. Foi através da linguagem que se instaurou no imaginário social, a imagem do paraíso terrestre nas representações do Brasil, na sua colonização e como estratégia do português para o povoamento da terra. Todo esse discurso foi legitimado pelos escritos da época, principalmente pela Carta de Pero Vaz de Caminha, em 1500. É desse ano, o primeiro documento que expressa um olhar estrangeiro sobre a terra brasileira. Escrita em Língua Portuguesa, a Carta ao Rei de Portugal, foi enviada pelo escrivão Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel. Ela pode ser considerada a certidão de nascimento da terra Brasilis. Além da Carta de Pero Vaz de caminha, outros textos de viajantes portugueses deram conta da nossa terra. São eles:
- Diário de Navegação (1530) de Pero Lopes de Sousa, escrivão de Martim Afonso de Sousa;
- Tratado da Terra do Brasil e a História da Província Santa Cruz, a que
vulgarmente chamamos Brasil (1576) de Pero de Magalhães Gândavo; - Tratado Descritivo do Brasil (1587) de Gabriel Soares de Souza;
- Os Diálogos das Grandezas do Brasil(1618) de Ambrósio Fernandes Brandão;
- Narrativa Epistolar e Tratados da Terra e da Gente do Brasil, do Pe. Fernão Jardim; e
- Cultura e opulência do Brasil, por suas drogas e minas, de Antonil (José Antônio Andreoni).
Carta de Pero Vaz de Caminha a El-Rei Dom Manuel I
Vamos conhecer um fragmento dessa carta ou crônica. Se quiser conhecê-la integralmente na forma em que foi escrita pelo próprio Pero Vaz de Caminha, veja a cópia em fac-simile disponível na página A Carta pelo link abaixo.
A Carta de Pero Vaz de Caminha veio a lume pela primeira vez em 1817, por meio do Padre Manuel Aires Casal, na cidade do Rio de Janeiro. Antes disso a Carta havia sido descoberta pelo pesquisador espanhol J. B. Muños em 1735, mas não havia sido divulgada. Foi, portanto, a partir da primeira publicação que a Carta tornou-se o documento oficial do nascimento da terra Brasilis, tendo originado, conforme já referenciado anteriormente, alguns mitos, “como o ‘novo mundo’, o ‘paraíso terrestre recuperado’, o ‘bom selvagem’.
É a partir da segunda metade do século XIX que essas idéias ganham fôlego, pois com o Romantismo, o Império pode levar a cabo um projeto estético-político na busca de um estabelecimento de uma identidade para o Brasil, ou seja, uma identidade homogeneizadora, a qual obliterava as demais identidades. De acordo com Marilena Chauí (2001: 5-9), “o imaginário nacional foi construído através dos setores culturais desde 1500 até os dias atuais, destacando-se duas situações: primeiramente que o Brasil é um “povo novo” que surgiu de três raças valorosas: os corajosos índios, os estóicos negros e os bravos sentimentos lusitanos; e em segundo lugar, da existência de significativas representações homogêneas do Brasil, que permitem crer na unidade, na identidade e na individualidade da nação e do povo brasileiro”. (CHAUI, Marilena. Brasil: Mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2001).

Intertextos
Carta de Pero Vaz
A terra é mui graciosa,
Tão fértil eu nunca vi.
A gente vai passear,
No chão espeta um caniço,
No dia seguinte nasce
Bengala de castão de oiro.
Tem goiabas, melancias.
Banana que nem chuchu.
Quanto aos bichos, tem-nos muitos.
De plumagens mui vistosas.
Tem macaco até demais.
Diamantes tem à vontade,
Esmeralda é para os trouxas.
Reforçai, Senhor, a arca.
Cruzados não faltarão,
Vossa perna encanareis,
Salvo o devido respeito.
Ficarei muito saudoso
Se for embora d’aqui.
De História do Brasil (1932)
Murilo Mendes
Pero Vaz de Caminha
A DESCOBERTA
Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terraOS SELVAGENS
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam pôr a mão
E depois a tomaram como espantadosPRIMEIRO CHÁ
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto realAS MENINAS DA GARE
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos.
De Pau-brasil (1925)Oswald de Andrade
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REFERÊNCIAS
